Cobogós – Elemento Arquitetônico de clima tropical

Nos últimos anos, um charmoso elemento arquitetônico da década de 20 e resgatado pela arquitetura Moderna Brasileira nos anos 50, foi revisitado e está sendo amplamente utilizado na arquitetura e design. Idealizado como um fechamento adequado ao nosso clima tropical que possibilitou as fachadas ventiladas, o cobogó carrega a identidade arquitetônica brasileira. (A imagem destaque do post se refere a Casa do Morumbi (1951), do Arquiteto Oswaldo Bratke)

O cobogó, é um elemento vazado modular que tem a função de fechamento, mas ao mesmo tempo permite que a luz permeie o interior dos ambientes, criando efeitos de luz e sombra muito interessantes, além de permitir a ventilação natural.

Tipos de Cobogó:
Tipos de Cobogó. Fonte: https://www.catarse.me/novoguiadebrasilia

Histórico

O cobogó surgiu na década de 1920, em Recife, criado por um grupo de engenheiros:  o Português Amadeu Oliveira Coimbra , o alemão Ernesto Agusto Boeckmann e o brasileiro Antônio de is. O termo cobogó é a combinação da primeira sílaba do sobrenome dos três engenheiros (por isso o negrito).

A inspiração para a criação do cobogó foram os muxarabis, provenientes da arquitetura árabe. São feitos em madeira e possuem adornos geométricos.

Arabesque discountattractions.com:
Muxarabi na Arquitetura Árabe. Fonte: https://deborahbasso.wordpress.com/2014/11/13/muxarabis-heranca-arabe/

Originalmente os cobogós eram feitos de cerâmica e cimento, mas atualmente é fabricado em diferentes materiais.

Após algum tempo de seu surgimento, deixou de ser usado na fachada e ocupou espaço em áreas consideradas menos nobres como áreas de serviço e banheiros. Foi resgatado nos anos 50 com a arquitetura moderna brasileira de Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e outros arquitetos como Joaquim Guedes, Affonso Eduardo Reidy, Oswaldo Bratke, etc.

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Edifícios Parque Eduardo Guinle – Rio de Janeiro. Arquiteto Lúcio Costa (1948-1954). Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-14549/classicos-da-arquitetura-parque-eduardo-guinle-lucio-costa
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Cobogós na Fachada do Edifício Eiffel – São Paulo. Arquiteto Oscar Niemeyer (1954). Fonte: http://diariodajoaquina.blogspot.com.br/2013/07/edificio-eiffel-projeto-de-oscar.html
Foto: Bob Wolferson
Cobogós da fachada do Conjunto Residencial Pedregulho, Rio de Janeiro. Arquiteto Affonso Eduardo Reidy (1947). Fonte: http://www.au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/235/historia-em-detalhe-299896-1.aspx
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Igreja da Vila Madalena – SP. Arquiteto Joaquim Guedes (1956). Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/601254/classicos-da-arquitetura-igreja-da-vila-madalena-joaquim-guedes
Casa Guarujá, São Paulo. Arquiteto Paulo Mendes da Rocha (1981). Fonte: http://casa.abril.com.br/casas-apartamentos/paulo-mendes-da-rocha-apostou-em-cores-vivas-nesta-casa-de-praia/

O Uso do Cobogó Hoje

Com o passar dos anos o cobogó foi caindo no esquecimento (porém, sempre muito utilizado em obras institucionais, como escolas), mas de uns tempos para cá foi repaginado e está sendo empregado tanto nas fachadas quanto como divisórias internas, com diversos modelos e desenhos.

Hoje, além dos cobogós cerâmicos e cimentícios, podemos encontra-los em materiais como vidro, cerâmica esmaltada, mármore, resina, PVC, acrílico, etc.

-Cobogó cimentício

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Fonte: http://www.artmoldados.com.br/

-Cobogó cerâmico

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Fonte: http://www.artmoldados.com.br/p-3322448-Cobogo-Ceramico-Reto

-Cobogó de vidro

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Fonte: http://www.leroymerlin.com.br/blocos-de-vidro-ventilados-

-Cobogó cerâmico esmaltado

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Fonte: http://www.alinekrupkoski.com/quer-uma-divisoria-cheia-de-charme-aposte-nos-cobogos/

-Cobogó em mármore

Imagem relacionada
Cobogó Haaz: em mármore criado pelo Estúdio MK27. Fonte: http://www.au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/182/artigo134773-1.aspx

-Cobogó de Resina

Fonte: http://www.solariumrevestimentos.com.br/produtos/linha-cobogo-luna/produto-cobogo-luna

-Cobogó de PVC

Divisorias com cano PVC:
Fonte: http://www.brit.co/room-dividers/

-Elemento vazado em Acrílico

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Elemento vazado em acrílico branco leitoso. Fonte: http://cargocollective.com/pkb/following/pkb/PROTOTIPO-ELEMENTO-VAZADO

Casa Cobogó – Studio MK27

 

A Casa Cobogó é uma das obras de destaque do Studio MK27, do arquiteto Márcio Kogan, A casa, de 2011, fica localizada na cidade de São Paulo.

A forma como a luz incide nos cobogós e penetra no interior da casa foi um dos fatores determinantes para o uso do cobogó na fachada.

“Neste caso trata-se de um painel inteiro, que não é feito por módulos como são os cobogós tradicionais brasileiros. Este é um dos primeiros resultados obtidos da série de painéis modulares “Continua”, criada por Erwin Hauer e elaborada através de meios digitais, entre eles o software CATIA, desenvolvido pela Gehry Technologies.”¹

Fonte: http://studiomk27.com.br/p/casa-cobogo/
Fonte: http://studiomk27.com.br/p/casa-cobogo/
Fonte: http://studiomk27.com.br/p/casa-cobogo/

“A geometria volumétrica suave dos elementos vazados que formam  as paredes é uma construção complexa , feitas com linhas infinitas. O elemento modular, uma obra de arte, foi desenhado pelo artista austro-americano Erwin Hauer que desde a década de 1950 faz esculturas concebidas para o espaço arquitetônico. Os elementos minimalistas dialogam com a arquitetura e recordam traços da arquitetura moderna brasileira. As linhas curvas desenhadas com perfeição remetem a arquitetura de Brasília de Niemeyer, além disso, os módulos de concreto têm como seus ancestrais os cobogós (…)”. ²

Outros exemplos de usos do Cobogó

 

-Divisórias Internas

Fonte: http://casaclaudia.abril.com.br/casas-apartamentos/apartamento-grande-todo-dedicado-a-arte-em-belo-horizonte/
Elemento Vazado - Depois da reforma, o ambiente ganhou mais luz natural com os elementos vazados aplicados na parede divisória do quarto do casal:
Fonte: http://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Jardim/Galeria-de-fotos/fotos/2013/08/elemento-vazado.html#F7

-Mobiliário

quarto de menina adolescente:
Fonte: http://assimeugosto.com/decoracao-de-ambientes/quartos-de-meninas-adolescentes-2/
Alan Chu renovates São Paulo apartment with ceramic blocks:
Fonte: https://www.dezeen.com/2015/08/11/alan-chu-ap-cobogo-apartment-renovation-sao-paulo-ceramic-ventilation-bricks/

-Arquitetura Comercial

  • Loja Aesop Vila Madalena – Irmãos Campana (2016)

A Aesop  é uma marca  de cosméticos naturais  australiana (recentemente foi adquirida pela Natura), que possui lojas em vários países. A marca não possui um modelo padrão, em cada cidade o projeto é feito por um arquiteto local, que transmite a essência e a cultura local ao projeto.

A segunda loja da marca em São Paulo fica na Vila Madalena e foi projetada pelos Irmãos Campana (a primeira loja fica na Oscar Freire e tem autoria de Paulo Mendes da Rocha).

Na loja, os Cobogós tem papel de destaque, fazem papel de prateleiras expositoras e bases das mesas centrais, pias e balcões, além de também fazer parte da fachada da loja.

Em minha leitura, o cobogó foi usado para buscar a memória da Vila Madalena como um bairro pacato, de residências unifamiliares, que teve maior desenvolvimento a partir dos anos de 1920 e intensificado a partir dos anos de 1940 com a chegada da linha de bonde.

Interior da nova loja da Aesop na Vila Madalena com projeto dos irmãos Campana ©Divulgação
Fonte: http://ffw.uol.com.br/noticias/beleza/conheca-a-nova-loja-da-aesop-assinada-pelos-irmaos-campana/
Resultado de imagem para aesop vila madalena
Fonte: http://www.aesop.com/br/article/aesop-vila-madalena-pt
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Fonte: http://www.imgrum.net/user/adrianatenuta.arq/3128544097
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Fonte: http://vogue.globo.com/beleza/beleza-news/noticia/2016/09/aesop-inaugura-nova-loja-na-vila-madalena-em-sao-paulo.html

O espaço em frente a loja foi idealizado para ser um ponto de encontro. Quando a loja está aberta, os pedestres tem acesso ao espaço, como um pocket park.


Por fim, o cobogó nos permite mil possibilidades de usos e combinações. Na fachada, nos permite a ventilação natural e o jogo de luz e sombra que muda de acordo com o horário do dia. No interior, nos possibilita criar divisórias internas que separam os espaços de uma forma leve, com charme e transparência. E como vimos no exemplo dos mobiliários e da Aesop, nos permite outros usos criativos e funcionais, basta soltar a criatividade.

Até o próximo post!


  1. Citação publicada na página ArchDaily Brasil http://www.archdaily.com.br/br/768101/cobogo
  2. Trecho do texto sobre a Casa Cobogó, retirado do site do Studio MK27:  http://studiomk27.com.br/p/casa-cobogo/

Fontes:

http://www.archdaily.com.br/br/768101/cobogohttp://www.anualdesign.com.br/blog/5887/a-origem-do-cobogo/

https://www.hometeka.com.br/inspire-se/tudo-sobre-cobogos-instalacao-dicas-e-inspiracao/

https://www.tuacasa.com.br/cobogos/

http://assimeugosto.com/arquitetura/cobogo/

http://casa.abril.com.br/materiais-construcao/cobogos-fashion-cores-modelos-e-novos-usos-do-elemento-vazado/

http://www.herancacultural.com.br/blog/2013/11/cobogo/

http://estadodeminas.lugarcerto.com.br/app/noticia/decoracao/2014/12/14/interna_decoracao,48458/moda-da-decoracao-nos-anos-1950-e-1960-cobogo-volta-com-forca-total.shtml

http://caras.uol.com.br/decoracao/cobogo-tendencia-decoracao-charme-retro-oscar-niemeyer-dicas-arquiteto#.WFxNPlMrJdg

http://studiomk27.com.br/p/casa-cobogo/ 

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